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terça-feira, 23 de maio de 2017

ADÍLIA LOPES

[AS ARANHAS]


As aranhas
que vejo cá em casa
têm 8 patas

A algumas
falta uma pata
devem ter sofrido
um desastre


Bandolim, Assírio & Alvim, Lisboa, 2016.

sábado, 17 de setembro de 2016

ADÍLIA LOPES

SABOTAGE (HITCHCOCK, 1936)


Os poemas que escrevo
são moinhos
que andam ao contrário
as águas que moem
os moinhos
que andam ao contrário
são águas passadas


Z/S, Averno, Lisboa, 2016.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

ADÍLIA LOPES

BIGGER THAN LIFE


Nada é maior
do que a vida


Capilé, Averno, Lisboa, 2016.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

ADÍLIA LOPES

[A LITERATURA]


A literatura começou para mim aos 10 anos ao ler um texto de Erico Veríssimo que vinha no livro da minha 4.ª classe: Clarissa a observar um carreiro de formigas. Devo a literatura a Erico Veríssimo a à Professora Maria Inácia e às formigas.


Comprimidos, parte integrante da Telhados de Vidro n.º 20, Averno, Lisboa, 2015.

sábado, 6 de setembro de 2014

ADÍLIA LOPES

FRASES


A política é uma forma de distribuir dinheiro.

Ler não é agir.

A inteligente gente é zombeteira.

Nunca me arrependi de ter desistido.

Não se mandam cartas de amor registadas.


Telhados de Vidro, n.º 19, Averno, Lisboa, 2014.

domingo, 13 de outubro de 2013

ADÍLIA LOPES

PRAZENTEIRA


Fernando pessoa escreveu
gostava de gostar de gostar
eu gosto de gostar
tenho sorte


Andar a pé, Averno, Lisboa, 2013.

domingo, 20 de janeiro de 2013

ADÍLIA LOPES

A JOSÉ ESTÊVÃO


Tia Paulina:
– Esta pequena mata-se, não come bolos.
Avó Zé:
– É destas coisas, Paulina, come bolachas.
De noite, a Tia Paulina e a Avó Zé não dormiam,
coversavam na cama, eu ouvia-as no meu quarto.


Grisu, n.º 1, Grisu – Associação Cultural, Guimarães, 2012.

sábado, 26 de março de 2011

ADÍLIA LOPES

[NESTE DIA CINZENTO]


Neste dia cinzento
procuro um verso
e não encontro
não tem importância


Resumo: A poesia em 2010 [de Apanhar ar], org. José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2011.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

ADÍLIA LOPES

[CHEGO CEDO AO CAFÉ]


Chego cedo ao café
à hora a que estão a entrar
as batatas e as cebolas
os legumes dão-me paz


Apanhar ar, Assírio & Alvim, Lisboa, 2010.

quarta-feira, 24 de março de 2010

ADÍLIA LOPES

A DOMADORA DE CROCODILOS


Todos os dias
meto a cabeça
na boca
do crocodilo

O meu feito é feito
de paciência

Já meti
a cabeça
no forno
estava farta
dos crocodilos
e dos amantes

Não tenho tido amantes
tenho tido crocodilos

Com os crocodilos
ganho o pão
e as rosas

Morrer é um truque
como tudo o mais

Dobrada
entre os crocodilos
dobrados
arrisco a pele

A pele é a alma


Resumo: A poesia em 2009 [de Dobra], org. José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2010.

domingo, 17 de maio de 2009

ADÍLIA LOPES

AS PORTAS


I

Se não fecho
algumas portas
há correntes de ar
a mais

Se fecho
todas as portas
não posso sair
mais

Se não abro
algumas portas
não fecho
algumas portas

Se abro
todas as portas
desintegro-me


II

Atrás da porta
para sempre fechada
está o nada

Houve um momento
em que deixei de gostar
da minha mãe

Houve um momento
em que deixei de gostar
do meu pai

Houve um momento
em que deixei de gostar
de mim

Houve um momento
em que deixei de gostar
de ti

Houve um momento
em que parti

Houve um momento
em que voltei

Houve um momento
em que voltei a gostar
de todos

E todos estão
aqui

Mortos
e ausentes


Le vitrail la nuit. A árvore cortada, & etc, Lisboa, 2006.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ADÍLIA LOPES

MÚSICA DA RUA JOSÉ ESTÊVÃO, EM LISBOA


O portão do Pátio do Duarte

Os toques do quartel

O sino dos Anjos

Os pardais

As folhas dos choupos

*

Foi bom não me ter casado. Não tenho cabeça para outra cabeça.


Telhados de Vidro, n.º 11, Averno, Lisboa, 2008.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

ADÍLIA LOPES

CÍRCULO DE POESIA


É um tapete
é um olho
é o Sol
é um caracol
é um espelho
é uma espiral
é um alvo
é um ovo
é uma maminha
é uma aranha


Caderno, & etc, Lisboa, 2007.