A literatura começou para mim aos 10 anos ao ler um texto de Erico Veríssimo que vinha no livro da minha 4.ª classe: Clarissa a observar um carreiro de formigas. Devo a literatura a Erico Veríssimo a à Professora Maria Inácia e às formigas.
Comprimidos, parte integrante da Telhados de Vidro n.º 20, Averno, Lisboa, 2015.
Tia Paulina:
– Esta pequena mata-se, não come bolos.
Avó Zé:
– É destas coisas, Paulina, come bolachas.
De noite, a Tia Paulina e a Avó Zé não dormiam,
coversavam na cama, eu ouvia-as no meu quarto.
Neste dia cinzento procuro um verso e não encontro não tem importância
Resumo: A poesia em 2010 [de Apanhar ar], org. José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2011.
Já meti a cabeça no forno estava farta dos crocodilos e dos amantes
Não tenho tido amantes tenho tido crocodilos
Com os crocodilos ganho o pão e as rosas
Morrer é um truque como tudo o mais
Dobrada entre os crocodilos dobrados arrisco a pele
A pele é a alma
Resumo: A poesia em 2009 [de Dobra], org. José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas, Assírio & Alvim, Lisboa, 2010.