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sábado, 31 de janeiro de 2015

ANTÓNIO GREGÓRIO

[A BEATRIZ]


A Beatriz não mais deixou de vir, inicialmente experimentadora de frequências, uma vinda por semana, duas vindas por semana, até à média do dia sim dia não e de costume pós-prandial, uns dias airosa e gaiteira e outros sombria porque nem sempre acordamos para o mesmo lado, não é?

[...]


O condómino, Língua Morta, Lisboa, 2014.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ANTÓNIO GREGÓRIO

CARPINTARIA


Sobretudo tive pena de quem lhe fez
o caixão porque a morte creio é cheia de horas
mortas e o meu avô carpinteiro igual a
ele irá perscrutar cada pormenor da
obra do seu caríssimo colega. Já
o vejo desdenhoso abanando a cabeça
descarnada aos primeiros sinais de cedência
prematura da madeira à pressão da terra.



Criatura, n.º 6, Núcleo Autónomo Calíope da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, 2011.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

ANTÓNIO GREGÓRIO

SUÍTE NÚMERO SEIS


É um grande incómodo não saber tocar
violoncelo que o pranto seria doutra
condição: ela gravíssima procurando
pela sala quieta de vez em vez sobre
o parapeito procurando procurando
na lida da luz entre as ramagens a nossa
sentença enquanto eu antecipado – a dor
em arco – ressumava contra as cordas o
adeus.

E a tristeza imensa ser-me-ia então como
tijolo de subir paredes ao invés
desta mais triste ainda – se nunca lhe achei
o préstimo – que por dentro vai corrompendo
corrompendo; podia dá-la já pensei
nisso: que talvez ma aceitasse o senhor
Rostropovitch.


Divina Música: Antologia de Poesia sobre Música (de American Scientist), org. Amadeu Baptista, Conservatório Regional de Música de Viseu, 2009.