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sábado, 15 de julho de 2017

NUNES DA ROCHA

[HÁ MUITO TEMPO DA JANELA]


Há muito tempo da janela
A olhar o zodíaco
E o chuvisco sobre barco em doca seca.
Ofereço a Júpiter álcool sem retorno,
A Vénus rugas recém-chegadas
E a Marte tudo o que nunca fiz,
Por preguiça
Ou revolução inacabada.

Com língua balaustrada
Talvez o céu fosse estrada
Ou verso a verso no caminho
Para ti.
Mas queimei todos os livros,
Cobri os cabelos com a cinza
E nunca mais, lepra inútil,
Ceguei pelo feitiço da sibila.


Poemas obsoletos de um bicho imóvel, Averno, Lisboa, 2017.

domingo, 19 de junho de 2016

NUNES DA ROCHA

ORÁCULO


do peito aberto saiu larva sem eco
caligrafia ou certeza
disse o deus

ensinar-te-ei modos de atravessar paredes
quando ninguém é perto
ou saudade

caminhar sobre as águas se o amor for ponte
sem arcos
e nela colhes líquenes de pedra

subir escadas quando a noite se cola aos pés
descalços se disseres adeus
nus quando à porta bateres

[...]

Cordoaria Nacional, Averno, Lisboa, 2016.

sexta-feira, 28 de março de 2014

NUNES DA ROCHA

[NÃO MAIS, CORAÇÃO]


Não mais, coração,
Atravesses a passadeira.
É muito o trânsito
Quando frívolo,
De sístole em desconcerto
Caminhas.
Segue pelas ruas estreitas
E, sob as sardinheiras,
Confia à arritmia
A surpresa que bate
Cada um dos dias.


Óculos escuros, fígado gordo, & etc, Lisboa, 2013.

domingo, 12 de abril de 2009

NUNES DA ROCHA

CANTIGA DA TININHA DO SEIXAL


Ay eu coitada, prá qui 'stou
Ervilhaca, à espera do meu Júlio
Que está de ressaca! Muyto me tarda
O meu Júlio na Guarda.

Ay eu coitada, prá qui 'stou
De mão no cono, por meu Júlio
Que falta co abono! Muyto me tarda
O meu Júlio na Guarda.


Cancioneiro da Trafaria, & etc, Lisboa, 2009.